vídeo Projecto Matilha: arte, cães e causas

Amparado nas pinturas de Ricardo Romero, o projeto recorre à arte urbana para levantar suas bandeiras, como a do combate aos maus tratos de animais. No UIVO!
Quinta do Mocho
Mural realizado na Quinta do Mocho

Por conta de uma admiração natural e de certo respeito pela causa, conscientemente ou não, o artista Ricardo Romero quase sempre retratava animais nas suas pinturas – os cães, em especial. Nesta época, no entanto, o artista ainda não tinha um conceito definido, mas já sentia a necessidade de engajar sua arte e dar mais sentido ao trabalho desenvolvido até então, inclusive como “Ship”, nome que adotou por volta de 1998. De modo natural e sem muitas formalidades, fruto da aproximação de Ricardo com pessoas que partilhavam os mesmos anseios, a Matilha tomou forma e, como projeto coletivo, começou a ladrar alto no distrito de Leiria, onde inúmeros cães foram pintados em grande escala numa espécie de alerta público contra os maus tratos. O mais curioso é que, neste caso, todos os animais retratados existem de verdade e simbolizam histórias reais. Aproximem-se, eles não mordem!

caveira (1)Sem pretensão para ser ONG ou tampouco um negócio formalmente constituído, o projeto Matilha desenvolveu-se a partir da própria determinação do coletivo em alertar as pessoas para a questão dos maus tratos animais, da possibilidade de tornar público este importante debate e, o melhor, através da arte. “Todas as mudanças vistas na sociedade nas mais diversas dimensões têm tido repercussões na nossa (sociedade) relação com os animais. O que já não era uma realidade bonita se agravou. Na realidade, consideramos que nunca esteve tão complicado. Talvez tenha sido esse agravar da situação, a olhos vistos, que tenha acelerado nosso desenvolvimento”, declarou via email a coordenadora Catarina Dias, ao ressaltar que “a Matilha é um projeto artístico de arte urbana e que, através desta, defende os direitos humanos e dos animais”. Ou seja, por mais que haja o foco no engajamento, “as ações do projeto priorizam necessariamente a arte”, sejam elas mais espontâneas, financiadas com o lançamento de t-shirts, malas e outras peças autorais, ou em colaborações com associações culturais, organizações de proteção animal e câmaras municipais, entre outras.

Snoopy
Snoopy

O fato é que, mesmo sem serem evidentes, as histórias retratadas por Ricardo não passam despercebidas, tanto pela dimensão das obras realizadas como pelo estilo imposto. É praticamente impossível não reconhecer os cães da Matilha, embora o artista, talvez para aumentar a curiosidade das pessoas, não tenha mais usado assinaturas. “Os trabalhos artísticos do ‘Projecto Matilha’ são exclusivos ao Ricardo. É uma identidade muito própria e, talvez por isso, nunca nos colocámos essa questão (da participação de outros artistas). De qualquer forma, o trabalhar e construir em conjunto, mantendo o que é individual, é intrínseco ao próprio projeto e está nas raízes que este tem no graffiti”, declarou Catarina. Segundo a coordenadora, além da atuação nas ruas, a Matilha também encontra-se aberta a organização/curadoria de exposições coletivas com artistas amigos e convidados, nas quais o valor da venda das peças poderia ser revertido para associações parceiras. Mas, as ações do coletivo não param por aí…

UIVO – Ecos de arte com animais e gente dentro

Atualmente, devido a uma necessidade de intervir mais diretamente junto à comunidade, o coletivo dedica-se inteiramente a uma nova iniciativa: “UIVO – ecos de arte com animais e gente dentro”, projeto que, de acordo com Catarina, “pretende ser uma intervenção concertada para a promoção da coesão, da inclusão social e da cidadania ativa, utilizando as práticas artísticas como instrumento facilitador das relações interpessoais e fomentando a empatia através da sensibilização em relação aos animais”. Esta ação, que será realizada nos próximos três anos na União de Freguesias de Marrazes e Barosa, em Leiria, pretende alcançar um público acima das 2 mil pessoas, entre crianças da pré­escola e jovens do 1o, 2o e 3o ciclo do ensino básico, assim como portadores de deficiências, adultos em situação de risco e idosos. Ao longo deste grito, com a ajuda de vários artistas convidados, a Matilha pretende realizar diversas atividades culturais, como literatura, arte urbana, desenho/pintura, ilustração, gravura, teatro, cinema e música, entre outras.

 

Projecto Matilha
Ricardo Romero – Arte
Catarina Dias – Coordenação
Selma Pavret – Fotografia
Andreia Marques – Design e comunicação

Mais informações em: http://www.projectomatilha.com

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s