vídeo Paulo Rocha: nos clicks da arte de rua

Com um livro lançado, outro a caminho, e mais de 8 mil imagens, o empresário conta como se tornou num dos principais fotógrafos de arte urbana do país. 
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O fotógrafo Paulo Rocha

Em cima de uma mota e com uma máquina fotográfica na mochila, o empresário Paulo Rocha roda a cidade de ponta a ponta à procura do “click” perfeito e, apesar dos compromissos relacionados à profissão, sempre encontra tempo para dar continuidade a um inusitado hobby: registrar graffitis e obras de arte urbana, atividade paralela que começou a realizar ainda em 2011, dois anos após ter recebido uma câmera no Natal e se ter apaixonado pela arte de fotografar. Embora nunca tenha se dedicado integralmente a essa necessária missão e nem tenha tal pretensão, o fotógrafo autodidata sentiu necessidade de se aperfeiçoar, de levar a brincadeira a sério, e acabou por dar início a um respeitável trabalho, sendo o primeiro a realizar um livro de registros neste segmento em Lisboa, o “Urban Art Photos”, lançado em 2014. Em entrevista ao Ctrl+Alt+RUA, Paulo falou sobre sua trajetória, o acervo de mais de 8 mil imagens e a finalização do novo site, o “Outdoor Gallery”, com o mesmo título do seu segundo álbum, a ser lançado no próximo ano. Arrocha, Paulo!

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Evento Seixal Graffiti

“Sempre tive certo interesse por arte, mas a ‘streetart’ começou a chamar-me atenção por estar a se desenvolver em todos os lados e, quando pesquisava algo na internet, eu nunca encontrava um material com uma qualidade compatível a dos trabalhos que já estavam na rua naquele momento. Muitos desapareciam também. Foi aí que decidi começar a registrar”, declarou Paulo, que, na ocasião, não tinha qualquer espécie de envolvimento com a cena da arte urbana – era como um “cota” fora d’água, mas nada que o pudesse desanimar. “No começo, eu costumava abordar os artistas em ação e perguntar onde poderia encontrar mais trabalhos realizados ou se sabiam de algum evento em que pudesse fotografar. Assim consegui conhecer e criar uma relação mais próxima, mas ainda tenho muitas fotos deste período inicial que não publiquei em lugar nenhum por não saber identificar o autor”, completou o fotógrafo. Desta forma, por não se limitar ao simples registro, o hobby de Paulo acabou por dar forma a um consistente projeto fotográfico, vide o “Urban Art Photos”, livro de 100 páginas que reuniu mais de 200 trabalhos e 60 artistas nacionais e internacionais – um modelo bem similar ao adotado pelo famoso “Lisbon Street Art”, lançado pouco tempo depois numa parceria da editora Zest com a GAU (Galeria de Arte Urbana).

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Obra do RAM em Sintra

“Eu já tinha um bom número de fotos de qualidade e pensava em apresenta-las num livro. Fiz uma edição de autor e mostrei o trabalho na GAU. Eles gostaram bastante, disseram que estava ótimo, e eu resolvi lançar de maneira independente. Na ocasião, eles divulgavam minhas fotos e também acabaram por divulgar o livro, mas não houve qualquer tipo de apoio ou parceria. Eu cheguei a procurar algumas editoras, mas também não obtive respostas. Mesmo assim, o livro até que teve certa procura, tanto que cheguei a produzir uma tiragem maior depois”, apontou. A considerar a falta de apoio e de tempo para trabalhar na divulgação – segundo ele uma das principais adversidades -, o primeiro livro de Paulo Rocha mostrou-se como um grande êxito e, de certa forma, legitimou o trabalho feito até então nas ruas. “O livro (um registro documentativo de quase todos os trabalhos realizados em Lisboa em 2012) trouxe-me uma abertura muito maior por parte dos artistas. Já não era uma pessoa que passava pela rua a tirar fotos”, declarou Paulo, que, atualmente, acompanha de perto tanto a cena quanto os artistas, como João Maurício (“Violant”) e o ídolo “SKRAN”, e acumula um acervo de mais de 8 mil registros.

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Nomen junto à Ponte Vasco da Gama

Na contramão da motivação adquirida com “Urban Art Photos”, a recorrente falta de tempo e alguns problemas familiares acabaram por tirar o foco de Paulo, que deixou de atualizar a plataforma lançada junto com o livro, mantendo apenas a página do facebook – o fotógrafo não tem conta no Instagram – os registros na rua. “Por mais que levasse a sério, não deixava de ser um hooby e não poderia prejudicar meu lado pessoal. Como não tinha tempo para dar a devida atenção ao retorno do público, preferi deixar de atualizar. Mas, agora estou trabalhando em outro site e estou mais focado nisso”, afirmou Paulo, que, em breve, se relançará com o “Outdoor Gallery”. Segundo ele, a plataforma adiantará o lançamento de seu próximo álbum, previsto para o próximo ano e que, como novidade, apresentará um grande espaço destinado aos locais abandonados. Ou seja, nada passa despercebido pelas lentes do empresário, que, como dono de negócio, tem se saído um incansável fotógrafo. Se o retorno financeiro importa, mas não move o projeto, no que depender de Paulo Rocha, mesmo que em arquivos, as obras de arte urbana e os graffitis estão salvos.

Mais informações sobre o trabalho de Paulo Rocha

Flickr: https://www.flickr.com/photos/allurbanart
Site: http://paulorochaphotography.com/special-project
Facebook: https://www.facebook.com/UrbanArtPhotos

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