Nicolae Negura expõe novo projeto

Em “I’m Not Special”, a ser inaugurada nesta quinta (3/12), na Apaixonarte, o artista romeno recorre à colagem para abordar emoções e sentimentos.
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Auto-retrato do artista

Era para ser apenas um período de voluntariado, mas foi amor à primeira viagem e, desta forma, o artista Nicolae Negura acabou por trocar Vaslui, cidade romena junto à fronteira da Moldávia, pelo desafio de uma nova vida na capital lisboeta, onde conseguiu dar continuidade aos estudos e ao seu refinado trabalho de ilustração, marcado pela combinação entre fortes cores e um inconfundível traço ondulado – uma estética amadurecida a partir da influência do universo dos comics, principalmente daqueles mais vintages. Agora, após quatro anos de muitas histórias e experiências, como as ilustrações realizadas em grande escala nas ruas, ele abre seu coração num novo “projeto”, a ser inaugurado nesta quinta-feira (3/12), na Apaixonarte – Design Português, espaço que celebra seu terceiro aniversário nesta mesma noite. Trata-se da exposição “I’m Not a Special”, que, ao contrário de seus trabalhos anteriores, centrados na crítica aos meios de massa e ao modo de vida do homem contemporâneo, recorre ao inédito uso da colagem para abordar apenas emoções e sentimento – “foram muitas músicas tristes”, ironizou Nicolae em entrevista ao Ctrl+Alt+RUA, na qual detalha o conceito desta mostra e, de quebra, relata as suas experiências no graffiti.

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Ilustração de Nicolae

“Inicialmente, eu pensei no projeto como uma história em quadrinhos que falaria sobre tudo o que queremos ser e não somos. Mas, depois, eu decidi transformar os conceitos-chave da história em passagens individuais e conectá-los. Aqui é tudo sobre sentimentos e emoções, como se o trabalho ilustrasse a normalidade e a beleza de nossas frustrações”, descreveu o artista, que, antes de chegar em terras portuguesas, finalizava seus estudos de mestrados e procurava uma oportunidade no mercado como designer gráfico. No entanto, segundo Nicolae, as experiências realizadas nesta exposição não chegam a moldar um novo conceito: “Não se trata de um novo caminho. A colagem é a única coisa nova que eu usei para compor este trabalho. As outras técnicas são as mesmas que costumo usar no meu trabalho digital ou tradicional. Em meu portefólio, você vê obras que são elaboradas entre o papel e o digital. O desenho é feito em papel e as cores são adicionadas no computador. Mas, nesta queria apresentar algumas obras originais, onde as cores e as tintas vão no mesmo papel”, completou.

Mural no LX Factory
Mural no LX Factory

Além de suas inconfundíveis ilustrações, a maioria delas extraídas de histórias do próprio quotidiano, e do desenvolvimento deste trabalho mais recente, incidindo sobretudo na expressão mais interior dos sentimentos de felicidade, tristeza, ansiedade e desilusão, o artista romeno também aventura-se em maiores escalas – na pintura de grandes paredes, por exemplo -, embora não chegue a se considerar um grafiteiro. “Eu não sou um artista de graffiti, me vejo mais como um ilustrador que também pinta nas paredes também. Eu comecei com a arte de rua há três anos, a partir de alguns projetos da Galeria de Arte Urbana (GAU). Sentia que alguns dos conceitos que trabalho poderia funcionar melhor numa escala maior, numa parede e também tinha a questão de encontrar um novo público”, apontou Nicolae, ao ressaltar a importância de levar arte para rua: “Por um lado, melhora o visual das cidades e, do outro, torna as obras acessíveis às pessoas que costumam estar muito ocupadas em sua vida diária para entrarem numa galeria”.

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Mural realizado com o coletivo Dínamo no Rio de Janeiro

Assim como um relevante intercâmbio na Espanha, fundamental para reforçar a decisão de ser ilustrador, as experiências com arte urbana também contribuiram e ainda contribuem para uma melhor adaptação de seu estilo aos diferentes suportes. De certa forma, por estar longe da mesa e do computador, o artista mostra-se fora de sua zona de conforto, o que acaba por estimular sua criação e gerar curiosas histórias, como a parede pintada com o coletivo Dínamo, formado pelos artistas Tainan Cabral e Cety Soledade, no Rio de Janeiro. “Estive duas semanas lá e sempre a perguntar sobre como eu poderia pintar uma parede, mas ninguém tinha a menor ideia de como fazer. Nos meus últimos dias, eu encontrei um artigo sobre uma feira de arte de rua que aconteceu na semana anterior e decidi escrever para lá. Foram eles que me colocaram em contato com os artistas da Dínamo. Então, no meu último dia no Rio, nos conhecemos e pintamos uma parede que encontramos aleatoriamente. Foi uma pena porque eu não tinha tempo de sobra e poderíamos ter pintado mais paredes. Não precisava de aprovação oficial para isso”, apontou o artista que, em paralelo à exposição “I’m Not a Special”, também participa da coletiva “AKA Who is Who?”, em cartaz até o fim do ano na Galeria Maria Pia. O projeto em questão, desenvolvido pelo artista 2 Carry On em parceria com a Galeria Funarte, é voltado à arte urbana e conta com nomes como Tamara Alves e Skran.

 

“I’m Not a Special”@ Apaixonarte
Rua Poiais de São Bento, 57.
De 03/12 até 31/01

Mais informações: https://www.facebook.com/events/607651426041956/
Página do artista no Facebook: https://www.facebook.com/NicolaeNeguraCucubaou/

 

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