vídeo Grafittaço da Paz no Saara-RJ

Em resposta ao ocorrido no centro do Rio, onde grafiteiros foram torturados por seguranças, artistas organizam ato contra violência e abuso de autoridade. Basta!

saaraO vídeo invadiu a “timeline” sem pedir licença e, em quase três minutos de pavorosas cenas de extrema violência, evidenciou o habitual tratamento recebido pelos artistas que arriscam suas vidas nas ruas do mundo inteiro em nome da arte – independente da vertente praticada, de maneira legal ou não. Neste recente e revoltante episódio, que poderia ter sido registrado em qualquer outra grande metrópole, seguranças que atuam na região do Saara, reduto do comércio informal no centro do Rio de Janeiro, aparecem espancando um grupo de jovens grafiteiros, algo de fazer inveja a qualquer torturador oficial e que também caberia a qualquer outro suposto infrator, tendo a pele negra e a baixa condição social como principais agravantes. Numa madrugada sem lei é difícil diferenciar quem é quem. O fato é que a crueldade “das autoridades” em questão foi tanta que, além de praticar uma série de crimes muitos mais graves do que a pintura ilegal de um muro, como formação de quadrilha e tentativa de homicídio, eles ainda se preocuparam em registrar todas as provas em vídeo-troféu, o qual acabou compartilhado num grupo de WhatsApp e, por sorte, chegou ao telefone do artista Dante Urban, uma grande referência na Baixada Fluminense e quem denunciou o fato nas redes sociais como um basta a esta situação. É impossível imaginar que, com toda a aceitação alcançada dentro do conceito de arte urbana, os artistas – como bruxos na inquisição – ainda tenham que conviver com tal tipo de retalhação. Isso não “tá certo”, como muitos santos ainda costumam defender.

Independente dos artistas estarem ou não dentro da lei e da legalidade do ato em si, nenhuma espécie de autoridade (segurança, agente, coxinha, gambé, homi, ganso ou bofe) tem o direito de agir desta forma e de protagonizar tais barbaridades como forma de repressão – de defender o pão da família, como alega um dos agressores no vídeo. Embora não haja tropeços e vítimas fatais desta vez, episódios como estes não devem ser repetidos ou tolerados. Ao contrário, algo precisa ser feito e, como podemos imaginar, não partirá do outro lado. Dante, por exemplo, fez um apelo aos artistas e denunciou as agressões através de suas páginas no YouTube, onde já teve mais de 300 mil visualizações, e no Facebook, onde ultrapassou os 2 mil compartilhamentos. “Então rapaziada do Graffiti RJ, não podemos nos calar com essa covardia, poderia ser eu ou você, infelizmente nossa arte virou moda, no sentido de pessoas influentes distorcerem o que é o graffiti, as pessoas acham que o bonito pra elas é o que deve ser o graffiti, e não conhecem toda a cultura, seja Tag, Bomber, WildStyle, Freestyle, Lamb Lamb ou 3D, ou se é ilegal ou legal, mas acima de tudo merecemos respeito. Isso não vai ficar impune, pois amanhã pode ser um morador de rua, um camelo (vendedor ambulante) ou uma pessoa de bem! Vamos invadir a Saara! Covardia praticada por seguranças de rua”, dizia o artista na mensagem junto ao vídeo. Diante destas inquietantes imagens de brutalidade, militantes do hip hop e dos direitos humanos também passaram a buscar apoio de advogados, numa tentativa de identificar os agressores e levá-los à justiça, enquanto os artistas locais já marcaram uma mobilização pacífica – como enfatizou o artista “Airá O Crespo” na página do evento – para buscar respostas e mais reações. Trata-se do “Graffitaço da Paz no Saara”, previsto para o próximo domingo de Carnaval (31/01). Em branco não vai passar. Viva o colorido! Paz.

Mais informações sobre o evento:
https://www.facebook.com/events/328181660639581/

 

 

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