Francisco Vidal leva ateliê à galeria

Utopia Luanda Experience, a individual do artista português na Baginski, mostra-se como um imperdível ‘work in progress’ – a ‘machine’ está ligada! Até 12/03

Utopia Luanda Machine (Crédito: Ctrl+Alt+RUA)

Imaginem chegar a uma exposição em que, entre peças acabadas e outras a fazer, o artista encontra-se no próprio local a produzir, a alterar e a aprimorar o conceito defendido pela mesma. Uma exposição em que, além das habituais obras finais – que nem sempre representam um final para os artistas -, o visitante também tem oportunidade de acompanhar todas as outras não menos importantes etapas prévias, como o método de trabalho, os materiais usados e, principalmente, o artista em atividade. Pois bem, foi exatamente isso o que aconteceu ao visitarmos a “Utopia Luanda Experience”, a imperdível individual de Francisco Vidal na galeria Baginski (Rua Capitão Leitão, 51-53).

Nesta espécie de proposta “work in progress”, na qual a mostra se renova ao longo de todo o tempo, o artista português de origem africana esmiúça o conceituado trabalho de Utopia Luanda Machine, realizado na capital angolana entre 2012 e 2015 e que foi apresentado no pavilhão do país na 56ª Bienal de Veneza, e dá continuidade a chamada “Arquitectura da Paz”, um projeto mais atual e que teve seu primeiro momento no Open Studio, realizado no fim do último ano na Fundição de Oeiras. Segundo o texto informativo da charmosa galeria, situada na suposta inóspita zona portuária, este último projeto “assume-se como um ponto de mediação entre Europa e África, com um objeto crítico, capacidade de ação e vontade de se estender para o resto do mundo”.

De “máquina” ligada e como se estivesse em seu próprio ateliê, Chico Vidal apresenta seus famosos painéis em catana – uma faca tradicional de Angola e que aparece simbolizada até na bandeira do país -, as pinturas feitas em caixas de papel reciclável (feito no próprio local) e imensos murais, também compostos de papel reciclável, mas que tomam toda a parede numa espécie de colagem de pequenas folhas. Por fim, ao se deparar com materiais espalhados e o artista com a mão na massa – ou seja, sem a certeza do que está pronto ou não -, o visitante acaba por adentrar não só no espaço de exposição, mas também no imaginário deste inquieto artista (se demonstrar disposição, ele ainda te coloca para trabalhar). Trata-se de uma experiência para ver, rever, andar no meio e participar. Só não dá para achar desculpas… Até 12/03 e até lá.


Utopia Luanda Experience – Arquitectura da Paz
Baginski, Galeria/Projectos, até 12 de março.
Rua Capitão Leitão, 51-53. Lisboa.
Mais informações: www.baginski.com.pt

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