Loures: o concelho da arte pública

Após a transformação vista nas Quintas da Fonte e do Mocho, a câmara de Loures anuncia um festival para espalhar arte por todo o concelho: Loures Arte Pública!

arteurbana_poster_PT (1)Após intervir nas Quintas da Fonte e do Mocho e atenuar um antigo conflito entre estas duas sensíveis comunidades com um transformador festival de arte urbana – o (re)conhecido “O Bairro i o Mundo”, realizado em parceria com o também atuante Teatro IBISCO (Inter Bairros para a Inclusão Social e Cultura do Optimismo) -, a câmara de Loures decidiu espalhar arte por todo este concelho da região metropolitana de Lisboa e, numa tentativa de ampliar esta linha de diálogo, anunciou um grandioso projeto: o Loures Arte Pública, a ser realizado entre os dias 18 e 26 de junho e que promete promover mais de 100 ações culturais, incluindo murais com artistas nacionais e convidados internacionais, debates e workshops e, inclusive, outras manifestações artísticas. Neste caso, além de ir ao encontro e envolver os seus quase 200 mil habitantes, a proposta é transformar a região numa verdadeira referência no segmento, mas agora como um verdadeiro museu a céu aberto (aos visitantes), como assegurou Rui Monteiro, um dos nomes por trás da iniciativa. Em entrevista ao Ctrl+Alt+RUA, realizada sem qualquer intermédio ou interlocutor, o acessível adjunto do presidente da câmara adiantou algumas informações sobre o novo festival e também abordou o determinante papel assumido pela arte urbana no concelho, que, entre outras novidades, lançará em breve um site dentro do portal da câmara com todas as obras presentes no município e suas devidas coordenadas.

Apesar de não figurar em guias de viagens e de não ser propriamente um destino turístico, o concelho de Loures possui suas especialidades, seus encantos e, através da arte urbana, mostra-se cada vez mais atrativo aos visitantes. Atualmente, com o retorno da linha do autocarro 300 – mesmo que somente em horários de pico -, é cada vez mais comum ver turistas circulando pela Galeria de Arte Publica (GAP) da Quinta do Mocho, onde cerca de 50 edifícios já foram pintados. Ou seja, o projeto que abriu o bairro ao mundo será agora ampliado para que o mundo também possa enxergar o concelho como um todo. São muitos postais ainda a serem descobertos e a transformação já começou. “’O Bairro i o Mundo’ tinha muito mérito em sua génese, mas a abordagem deveria ser diferente da realizada na Quinta da Fonte, onde, terminado o festival, a câmara praticamente desresponsabilizou-se do bairro. Aquilo que fizemos no Mocho foi criar uma continuidade e, por isso, também evoluímos a questão da arte urbana e que surge a Galeria de Arte Publica. Conseguimos aprofundar a relação com a comunidade, a intervenção junto ao bairro, e dar a sequência que a primeira edição não teve, nem tanto no plano artístico, que seguiu o mesmo modelo, mas na intervenção subsequente por parte do município, no acompanhamento e na aproximação das pessoas”, declarou Rui Monteiro, que, mesmo dentro de um novo quadro politico, defendeu a continuidade do projeto e coordenou a segunda edição, realizada em 2014.

L7m Loures
O artista brasileiro Luis Seven Martins (a.k.a L7m) em Loures. (facebook/OBairroioMundo)

A partir do positivo retorno encontrado nas duas comunidades e da necessidade de se levar mais que arte urbana aos moradores – presença, diálogo, mudanças e cultura de um modo em geral -, a câmara compreendeu a necessidade de ampliar a atuação do projeto e, até para atender uma maciça exigência das demais freguesias, se viu diante do desafio de trabalhar em todo o município. “A continuação do projeto de arte e a criação da Galeria de Arte Publica foi o que nos permitiu nos reunir com a população, ouvir o que as pessoas tinham a dizer. As pessoas passaram a ter uma confiança diferente com os técnicos da câmara e, de certa forma, acabou-se retomando um elo que já havíamos perdido. Não se tratava apenas de uma relação entre proprietários e inquilinos”, defendeu Rui Monteiro, ao exaltar que a ampliação do projeto mostrava-se como uma exigência dentro da câmara. “Um conjunto de municípios sabia da existência da iniciativa e questionava porque as intervenções eram feitas somente em determinados pontos e não em todo o território. Isso fazia todo sentido e, por isso, decidimos fazer um levante com todo município. O Loures Arte Publica, por exemplo, também não ficará restrito ao Departamento de Intervenção Social. O projeto contará com técnicos de diversos departamentos, da educação e da cultura, e terá uma intervenção transversal a toda estrutura da câmara. Estarão todos a contribuir em conjunto para o desenvolvimento e a realização deste festival”, completou.

Obra do artista brasileiro Cena7 em Loures (facebook/obairroiomundo)
Trabalho assinado pelo artista brasileiro Cena7 (foto) em Loures (facebook/obairroiomundo)

Questionado sobre a expectativa em torno do novo festival, se o mesmo virá para legitimar Loures como “o concelho da arte urbana”, o adjunto do presidente da câmara foi categórico e, sem tempo para pensar, afirmou ter “certeza que sim”. “Será uma referência externa, para todos aqueles que observam Loures como um grande município em termos de arte urbana, mas também interna, em que as próprias pessoas internalizam esta forma de expressão artística como uma marca distintiva do concelho. Todos os trabalhos que temos em nosso território encontram-se impecáveis. As pessoas já começam a saber diferenciar, apoiam a iniciativa e acabam por participar”, alegou. Embora o festival esteja marcado somente para final de junho, as atividades já começaram a ser definidas e a programação completa será divulgada mais adiante. “Estamos na fase da identificação das paredes. Aliás, já identificamos alguns edifícios públicos e também outros privados. Isso carece de uma resposta e estamos à espera desta aprovação, mas as intervenções serão feitas em todas as freguesias, desde Bucelas até Moscavide”, declarou Rui, ao enfatizar o “avassalador” retorno obtido por parte dos artistas. “Temos muitos pedidos anotados e realmente não temos condições de abrigar um número tão expressivo de artistas – mais de 150 até o momento. Mas, dentro do possível, tentaremos atende-los a maioria deles”, concluiu Rui Monteiro, ao adiantar que a câmara também tem pensado em outras ações paralelas, como a disponibilização de espaços específicos para intervenção artística, ‘jam sessions noturnas’ com pinturas livre, parcerias com centro de reformados, criação de percursos e outras possíveis ocupações. Uma aposta real… Loures da arte pública!

Mural assinado pela artista mexicana Eva Bracamontes (facebook/ O Bairro i o Mundo)
Mural assinado pela artista mexicana Eva Bracamontes (facebook/ O Bairro i o Mundo)

Mais informações no site da Câmara de Loures

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