Giulio Vesprini: Archigrafia di strada

Após a realização de mais um “cerchio”, desta vez na antiga prisão de guerra PG 59, o artista italiano detalha a mistura entre design e arquitetura usada nas ruas.
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Giulio Vesprini (Divulgação)

Com uma pintura marcada por dois aspectos principais, a geometria e as figuras abstratas – esta geralmente relacionada a elementos da botânica -, o artista italiano Giulio Vesprini destaca-se ao recorrer às ruas para apresentar suas obras – os famigerados “Cerchios” (“Círculos”, em italiano). O último deles, intitulado “Cerchio G022” e realizado na antiga “Prigione di Guerra” PG 59, um dos principais presídios da Segunda Guerra em Servigliano (Itália), ilustra bem sua linha de trabalho e exalta toda a magia contida em seu reconhecido conceito. “A síntese dos sinais é dado pela reunião entre os elementos gráficos e a arquitetura, duas escolas que frequentei e que, graças a elas, eu agora posso introduzir um assunto fundamental para a compreensão do meu trabalho: a ‘archigrafia ‘, muitas vezes usada nos círculos de publicidade para antecipar o conceito ‘supergraphic’. Mas, para mim, a pintura de uma parede é algo maior do que um grande cartaz comercial. É um sinal gráfico que pode voltar a falar de uma forma arquitetônica que não se comunica mais e que, muitas vezes, não apresenta impulsos dinâmicos”, explicou o artista, ao exaltar que, no caso dos títulos, acaba por usar uma espécie de números de série. “Minha ideia não é confundir a cabeça das pessoas”, ironizou Vesprini, que, em entrevista exclusiva ao Ctrl+Alt+RUA, falou sobre a cena da arte urbana na Itália, a curadoria do projeto “Veddo a Colori” e a vontade de regressar à Lisboa. Forza, amico!  

Giulio Vesprini
“Cerchio G022” – Servigliano, Itália (2016)

Apesar de explorar uma linguagem mais acadêmica, uma consequência de sua própria formação em design gráfico e arquitetura, Vesprini começou a pintar nas ruas em meados da década de 90 e, após anos de graffiti – de querer algo mais complexo -, acabou por amadurecer uma proposta de intervenção urbana mais conceitual. No entanto, mesmo com um trabalho mais denso, o artista italiano mantém-se ativo nas ruas. “Trabalho dentro da chamada arte urbana desde 2005 e, hoje, sou muito consciente sobre o que é trabalhar no fundo urbano. Continuo a escolher a arte de rua e as paredes porque são as abordagens mais democráticas que conheço. As paredes são independentes e, muitas vezes, livres. Acredito que elas ainda não estão contaminadas pelos estranhos funcionamentos internos da arte contemporânea”, declarou o artista italiano, ao detalhar o último trabalho realizado: “Dentro do ‘Prison Camp 59’, um projeto promovido pela Casa della Memoria e pela Câmara de Servigliano, as flores assumem um papel importante. Na verdade, é o símbolo dos dias de memória. O título ‘Resurgo’ também representa o renascimento de um espaço triste e escuro como fora um campo de concentração de judeus. E hoje, graças a este projeto de arte urbana e através do poder expressivo dos murais, a sigla PG 59 assume um novo significado: ‘Painting Generative 59’”, completou.

Nascido e criado em Civitanova Marche, uma paradisiaca comuna (município) da província de Macerata, onde desenvolve o reconhecido projeto de arte urbana “Vedo a Colori”, Giulio Vesprini teria propriedade o bastante para abordar o atual papel da arte urbana na Itália e, em especifico, comentar o recente episódio envolvendo a lenda Blu, que, por sua vez, decidiu apagar seus murais numa inédita ação contra a apropriação indevida de suas obras. “Blu é Blu. Grande Blu! Concordo com a sua ação, verdadeira e leal. Um gesto muito forte dentro da cena da street art. Graças a ele, muitas coisas vão mudar e talvez possamos retomar às ruas. Muitos curadores pensam que a arte urbana está na moda, mas eles não conhecem a história. A rua é para as pessoas e não apenas para a galeria”, apontou Vesprini, um dos artistas mais ativos dentro da arte urbana na Itália. Em relação à curadoria do projeto de resistência Vedo a Colori, que vem colorindo “a porta de entrada” de sua cidade desde 2009, Vesprini mostra-se mais categórico: “Nós acabamos por priorizar a escolha de artistas fiéis, que acreditam em valores reais de rua. O Vedo a Colori é independente e não tem laços com a política e, por isso, espero encontrar mais dinheiro para dar continuadade ao projeto, que mostra-se importante tanto para a cidade e quanto para o povo. As pessoas estão felizes e querem viver em meio às cores, e acredito que a arte urbana deve mesmo cumprir essa função de se comunicar com o espaço e com as pessoas, assim como o design gráfico e a arquitetura podem dialogarem num espaço abandonado. Minha pesquisa percorre várias frentes e, com certeza, também inclui a cultura de rua”, enfatizou o artista, ao ressaltar que, neste aspecto, Lisboa aparece com grande destaque. “Já estive em Lisboa e espero voltar em breve. É uma cidade de luz e muito especial”, finalizou o italiano. Arrivederci! 

Mais informações sobre Giulio Vesprini: http://www.giuliovesprini.it

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