Poster Mostra: de volta a Marvila

Em sua segunda edição, a mostra pública regressa a Marvila com uma série de atividades e, é claro, muitos posters de diferentes artistas – todos nas paredes!!!

Após a realização do Muro LX, o festival da Galeria de Arte Urbana (GAU) que transformou a então invisível localidade numa verdadeira galeria a céu aberto com imponentes murais de artistas nacionais e internacionais – uma atração turística obrigatória aos adoradores da chamada “street art”-, Marvila volta a ganhar destaque com outro expressivo evento cultural. Trata-se da Poster Mostra Pública, que, em sua segunda edição, regressa a freguesia com uma série de atividades e trabalhos de artistas de diferentes vertentes – todos eles tendo o poster como plataforma, como indica o próprio título do evento, a ser inaugurado no próximo dia 14 de Outubro, a partir das 15h, com direito a exposições, concertos, DJ’s, cerveja artesanal e street food. Vale lembrar que também haverá venda de poster e que, após os festejos do dia de abertura, a mostra segue em cartaz até 14 de novembro. Marvila não é um lugar assim tão distante…

A partir de uma homenagem “a um dos mais poderosos meios de comunicação de sempre”, impulsionado principalmente pela simbiótica relação entre arte e publicidade, a segunda edição da Poster regressa a Marvila com trabalhos de mais de 20 artistas de diversas áreas, do cantor Sergio Godinho a designer americana Jessica Wlash, com destaque para o graffiti israelita da Broken Fingaz Crew, que já assinou inúmeros cartazes para bandas e festivais de rock (confira entrevista com Tant); Ricardo Passaporte, da Germes Gang; Halfstudio, do casal Mariana Branco e Emanuel Barreira, e Kruella D’enfer, que, após deixar uma imponente “Oferenda” em um dos inúmeros prédios do bairro, regressa ao local para colar alguns posters pelas ruas. Aliás, a considerar seu caracter público, essa é a principal proposta da mostra: espalhar arte pela localidade e ir de encontro ao público, seja visitante ou morador.

Nesta edição, além de posters maiores e de um circuito expositivo  mais amplo, a mostra também contará com diversas atividades paralelas e cinco trabalhos feitos pelo público através de uma “open call” – André Catarino, António Castanheira, Carolina Caldeira, i+o (João Coutinho + Filipa Rodrigues) e Margarida Veiga foram os vencedores e juntam-se à equipa de artistas convidados. No dia da inauguração, as Galerias de Arte da Rua Capitão Leitão, a Galeria Francisco Fino (com a exposição “Phantom Limbs”, de Karlos Gil) e a Galeria Baginski (com “La Mano Invisible”, de Patrick Hamilton), também estarão abertas para atender os visitantes da mostra, enquanto, a partir das 16h, no Espaço Mais Alguns (Fábrica Moderna), ocorre a inauguração da Mini POSTER – uma mostra composta por trabalhos de jovens alunos da Casa Pia e Obra do Ardina realizados a partir de um workshop com Kruella D’Enfer.  Mais informações sobre a Poster.

Na Missão

Ainda no sábado (14/10), em paralelo às ações da mostra, ocorre o primeiro evento público de angariação de fundos para a Missão Dimix, uma iniciativa solidária de Sónia Pessoa (Ursotigre) que pretente realizar uma série de atividades artísticas e educacionais com meninos e meninas de São Tomé e Príncipe. Com apoio e curadoria da Tara Gallery, o 1º Leilão Missão DIMIX, um Leilão Solidário de Obras de Arte composto por doações dos próprios artistas, ocorre no espaço TODOS.PT, a sede da Missão Dimix (Rua Pereira Henriques, 3), das 15h às 20h. A apresentação será de Carlos M. Pereira, e a música fica a cargo de The Legendary Tigerman, Maria do Rosário e DJ Badalado. Na sequência, confira os artistas presentes no leilão: Ágata Xavier, AKACORLEONE, Alexandre Esgaio, Anna Westerlund, André Costa, Bruno Pereira, Catarina Pedroso, David Rosado, David Tutti dos Reis, Add Fuel, Donk, Hell Yeah, Inês Moura aka Cretina, Jhon Douglas, João Gabriel, Kid Richards, Margarida Fleming, Marta Lee. Miguel Faro, Maismenos, Mike Ghost, Pjotr Parley, Pedro Gramaxo, Pedro Nóbrega, Regg, Richard Coelho, Rita Lino, Rui Palma, Sara Morais, Sejkko, Sónia Balacó, Tamara Alves, Ursotigre e Vera Marmelo.

Maravilha, Marvila

Situada a poucos minutos do centro de Lisboa, entre o remodelado Parque das Nações e o movimentado fluxo turístico de Alfama, Marvila passou por intensas transformações nos últimos anos, mas ainda sofre com o estigma de “invisibilidade” e com índices de desenvolvimento abaixo da média na capital, como o de oferta de emprego e o de nível de escolaridade. Se os bairros sociais decretaram o fim das barracas e deram mais estruturas aos trabalhadores de suas incontáveis indústrias de outrora, a falência das mesmas e o consequente abandono da localidade abriram espaço para a formação de áreas de exclusão, os chamados “guetos urbanos”, embora a situação tenha melhorado muito nos últimos tempos e tende a melhorar ainda mais. A prova disso foi a recente realização do Festival Muro LX, que, ao exemplo do ocorrido no bairro de Padre Cruz no ano anterior, acabou por abrir a localidade à cidade e alterar a rotina dos moradores do local através da arte.

Realizada dentro da iniciativa “Passado e Presente – Lisboa Capital Ibero-Americana de Cultura 2017”, articulada pela União de Cidades Capitais Ibero-americanas (UCCI) em conjunto com a Câmara Municipal de Lisboa, a segunda edição do festival da GAU botou Marvila no mapa da cidade (e da arte urbana) com direito a uma verdadeira seleção de murais de artistas nacionais e internacionais, como dos brasileiros Eduardo “Kobra”, Guilherme Kramer e Jhon Douglas, das argentinas do Medianeras Murales (Vanesa Galdeano e Anali Chanquia) e do hermano San Spiga, do mexicano Cix Mugre, do equatoriano Steep Aeron, da colombiana Gleo, do venezuelano Flix e do espanhol Zesar Bahamonte, além dos portugueses Kruela D’Enfer, Hazul, Gonçalo MAR, Miguel RAM, Godmess, LS, Nuno Alecrim, The Caver, Miguel Brum e Youth One, entre outros participantes do chamado “agreater wall”. Isso sem falar na intervenções do espanhol Okuda e duo uruguaio Colectivo Licuado, de Camilo Nuñez e Florencia Duran, que já se encontravam em Marvila e, de certa forma, deram início a galeria de arte publica do local. Um salve a Marvila e sua gente de todo lugar!

Parte dos murais realizados em Marvilha; obra de The Caver em destaque / Crédito: Bruno Cunha

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